segunda-feira, 23 de abril de 2012

Língua gestual como primeira língua da humanidade (William Stokoe)

A primeira língua humana foi uma língua falada. O português, o espanhol, o francês, o italiano e o romeno derivam todos eles do latim das legiões romanas. As línguas célticas, isto é, o bretão, o galês e o gaélico irlandês e escocês são diferentes das línguas românicas, mas têm em comum com o latim e o grego a mesma língua antepassada.
Do mesmo modo, o inglês, o neerlandês e o alemão descendem do antigo germânico ocidental, enquanto as línguas escandinavas tiveram como antepassado o germânico setentrional. Todas as línguas acima mencionadas, descendem com muitos acidentes de percurso, de raízes indo-europeias, constituindo reconstruções feitas pelos académicos de palavras supostamente utilizadas há milhares de anos.
Contudo, se a primeira língua tiver sido um língua gestual, podemos certamente ter algumas ideias sobre como seria. Uma língua gestual não tem que ser universal, não há possibilidade de toda a gente em toda a parte perceber perfeitamente cada gesto.  Algumas ações parecem estar enraizadas na fisiologia humana, e os gestos pertencem a essa categoria de ações.
Podemos facilmente imaginar quantas espécies de gestos se desenvolveram a partir de gestos naturais, mas não há forma de se explicar onde terão determinados sons ido buscar o seu significado. Há quem diga que os bebes aprendem a língua apontando para um objeto e ouvindo um adulto pronunciar a palavra que domina esse objeto.
Suponhamos então que a primeira língua humana foi efetivamente  uma língua gestual. Por algumas razões, o objeto atraiu a atenção e interesse do bebe e que há um adulto que tem muita experiencia com esse objeto. È uma ferramenta de pedra cuidadosamente modelada e polida, o tipo de ferramenta que os paleontologistas denominam machado de mão.
A pessoa que cuida da criança utiliza diariamente uma ferramenta desse tipo , portanto ao olhar para a pedra e para o bebe, faz um movimento de cortar, com uma das mãos posicionada como se estivesse a empunhar o machado de mão. Mais tarde a criança, vai percebendo ao poucos, que aquele objeto se com o movimento que vê o adulto fazer e aprenderá também os seu nome.
As crianças de hoje, são ativas e decerto que o eram tanto ou mais quando a raça humana era jovem e tentava vingar, sobreviver num mundo hostil. Assim, centenas ou milhares de interações semelhantes devem ter ocorrido ao longo do crescimento de cada criança.
A língua representa o pensamento de forma a que os sentidos dos outros o percebam. A língua, no geral, implica muito mais do que um conjunto de palavras ou designações, implica a representação da cultura. Para a Língua Gestual é através da ação e visão. A língua começa através dos movimentos representativos que transmitem a informação. O autor dá como um exemplo, a "verticalidade humana". O Homem tinha como noção que "para cima" era positivo e "para baixo" era negativo. Independemente dos sons vocais que representavam estes gestos sabemos o que eles significam.

 Mais tarde, depois de compreendida a relação entre o gesto e a sua representação, os primeiros humanos tornam os gestos como metáforas do tempo. " Agora e antes", "Agora e mais cedo" e "Agora e mais tarde" eram noções compreendidas através dos gestos . Não se sabe quando durou os gestos para a língua oral. A língua, no geral, têm que ter uma sequência gramatical, segundo a Gramática Universal, o que sabemos que existe nas línguas gestuais usadas pelos surdos que utilizam  sequencias de símbolos. Assim, houve uma evolução desde a língua "gestual" usada pelos primeiros homens até a atualidade.

O autor diz que mesmo antes dos primeiros humanos, os chimpanzés  já faziam gestos que significavam " Dá-me um pouco dessa comida" e  "Coça-me aqui". Mas, mesmo antes dos chimpanzés , os animais mostravam o que sentiam através da expressão corporal.

Este caminho deve ser uma das fontes da língua, que evoluiu da exibição automáticas dos sentimentos para a troca intencional dos mesmos através do reino visual. As línguas gestuais verdadeiras utilizam os gestos manuais e também a expressão facial e corporal.

Os movimentos das mãos e dos braços representam e demostram que o pensamento é um sistema que funciona em conjunto com os mesmos. Nas línguas gestuais, o que é dito e a forma como algo é dito funciona também muito ligado á visão.

Existem tribos nos EUA e na Austrália que possuem Línguas Gestuais, que funcionam como alternativa á fala. Exemplos disso são os falantes de Nakota, que utilizam por exemplo o mesmo gesto e a mesmo palavra oralizada para simbolizar as palavras boa mente e bom coração. Colocando este gesto/palavra em verbo, significa pensar claramente e atuar com compaixão.

É feita a pergunta “Poderia a primeira língua gestual ter tido uma verdadeira gramatica, com sequências e símbolos visíveis?” a resposta é que sim, contendo essa uma designação sintática.

São explicados ainda os olhos e a visão humana para captar movimentos e gestos. Estes contêm cones e bastonetes que servem para detetar o movimento que é analisado quando são feitas ligações ao cérebro, e a visão fóvea ou imagem focada nos cones mostra-nos exatamente o aspeto que tem uma cara numa determinada configuração de uma mão ou braço em movimento.

Segundo o autor, a língua nasceu de forma natural. Da conjugação da visão e movimentos humanos adicionados pelo movimento cerebral. Resumidamente a comunicação por gestos deu origem a uma língua.



Trabalho realizado por:
 Ana França,
Mariana Lopes e
 Sílvia Pinheiro (Curso: LGPN)

Perspetiva teóricas na aquisição da Linguagem em Crianças Surdas


Perspetiva teóricas na aquisição da Linguagem em Crianças Surdas

A criança surda, no que respeita ao desenvolvimento cognitivo e à linguagem, não se pode efectivar senão graças a um conhecimento profundo dos mecanismos que a criança ouvinte utiliza para atingir essas capacidades, também é uma realidade que as crianças surdas constituem um grupo especialmente importante para o estudo dos processos cognitivos assim como da relação entre o pensamento e a linguagem.

Ø  Relativamente aos estudos jeitos por Vygotsky, Piaget e Chomosky podemos realçar os seguintes aspectos:



·         Quando os surdos não têm acesso à linguagem o seu desenvolvimento cognitivo apresenta-se a um nível que não ultrapassa o das operações mentais mais elementares;

·         Quando os surdos têm acesso à “ linguagem dos gestos “ os resultados obtidos são superiores às expectativas muitas vezes tidas em relação a estas crianças;

·         Embora pensamento e linguagem possam ser entidades distintas, é certo que se influenciam mutuamente em questões de desenvolvimento cognitivo;

·         É da maior relevância o papel que o meio ambiente desempenha na estimulação para a aquisição de competências.

Desta forma estamos perante permissas muito importantes vindas de autores cujo estudo não foi dirigido à problemática dos surdos, mas este grupo foi muito útil para a elaboração de experiências e reflexões ligados às dificuldades da Linguagem e atrasos do desenvolvimento cognitivo.

Raízes biológicas do conhecimento


A linguagem humana não está limitada ao som e ao ouvido uma vez que existem outros sistemas de comunicação simbólica, passados de geração para geração, que se tornaram em línguas autónomas e independentes na sua formação da língua oral.

O facto de as línguas gestuais usarem as mãos, a face e o corpo como processos articulatórios em vez do tracto oral pôde levar a supor que se apresentavam completamente diferentes das línguas orais e porventura lhes faltariam propriedades que são utilizadas nas línguas orais.

Segundo Poizner, Kilma e Bellugi:



·      A característica mais acentuada da linguagem é o apoio nos mecanismos espaciais para processar a sua estrutura sintáctica;

·      Devido à sua especialização para a linguagem o hemisfério esquerdo encontra-se melhor adaptado do que o direito para o processamento sequencial da língua oral;

·      Existirá alguma possibilidade de a língua gestual se encontrar representada nos dois hemisférios? Existindo, como se torna possível o seu processamento?

·      Poderá encarar-se a hipótese de que a base de especialização do hemisfério esquerdo para a linguagem se encontra mais ligada à função do que à forma?

Estas foram as questões essenciais levantadas por os autores anteriormente referidos.

Posteriormente realizaram estudos e os resultados das sessões efectuadas foram recolhidos em vídeo para posterior análise em equipa.

Os pacientes seleccionados foram seis dos quais três apresentavam apenas uma lesão cerebral no hemisfério esquerdo e os outros três apresentavam, cada um, apenas uma lesão cerebral no hemisfério direito.

Todos possuíam as seguintes características comuns:

Ø  Eram destros antes da lesão cerebral;

Ø  Receberam a sua educação em escolas residenciais para surdos;

Ø  Viviam com parceiros portadores de surdez média ou profunda;

Ø  Usavam a ASL como língua de comunicação;

Ø  Eram membros da comunidade surda.



Isto significa que a pesquisa tendo como base a língua dos surdos representam um avanço importante no que respeita às teorias modelares do cérebro, porém, somos do parecer que ainda com a base na língua gestual, se poderão obter informações da maior relevância sobre a forma como o organismo recebe e organiza os estímulos que lhe são fornecidos pelo meio circundante, demonstrando a sua plasticidade e consequente capacidade de adaptação.


Desenvolvimento Cognitivo



Pintner (1941) afirma que os surdos são intelectualmente inferiores aos ouvintes em várias áreas da cognição: inteligência, memória e pensamento abstracto, refere ainda as suas dificuldades na compreensão, na comunicação e inter-relação social.



Myklebust (1964) os surdos apresentam um pensamento de natureza mais concreta do que os ouvintes, as suas estratégicas de memorização apresentam-se inferiores às dos ouvintes, possuem uma personalidade pouco flexível e ainda uma fraca maturidade social.



Ø  De uma geral todas pesquisas desta época se pautam pelas diferenças do tipo quantitativo e qualitativo entre surdos e ouvintes.



Ø  Comparando o percurso das crianças surdas com o das ouvintes os aspectos inatos encontram-se em igualdade de circunstância, porém o que falta à grande maioria das crianças surdas foi a envolvência com o meio que duplamente as marcou, o que impediu a aquisição da linguagem e provocou um corte irremediável no seu desenvolvimento linguístico, cognitivo e social.



Linguagem / Pensamento        


Stokoe despertou o interesse de linguísticas e psicolinguísticas americanas para a ASL. O primeiro período é principalmente marcado pelo desenvolvimento de estudos sobre a ASL em que, além de Stokoe, Bellugi, Klima e Poizner representam o paradigma de investigação ainda hoje seguido por muitos investigadores.

Ø  Emerge a certeza de que a ASL é uma língua com todas as características de uma língua natural;

Ø  Surge um grande interesse pela comunidade surda e pela sua cultura;

Ø  Existe finalmente, uma nova consciência sobre as capacidades das pessoas surdas.



·         Parece, então, existir um certo consenso de que factores de natureza fisiológica, psicológica, social e cultural se conjugam para proporcionar num determinado período de vida de um individuo, uma situação ideal para a aquisição da língua materna, por outro lado, se a aquisição da primeira língua se processar fora desse período é de esperar a ocorrência de perturbações no processo normal de aquisição e desenvolvimento dessa língua.

É obvio que no decurso do estudo sobre a aquisição da linguagem nos surdos não podem também deixar de ser reflectida e devidamente enquadrada uma questão que vem emergindo nestes últimos anos, e que se liga à importância da interacção e das estratégicas de comunicação com a criança surda.

Trata-se de uma área cuja investigação temos em curso e da qual, uma vez concluída, tenciona-se divulgar os seus resultados.



Trabalho realizado por: Sofia Carvalho
                                                  Carlos Gonçalves
                                                  Leonor Marques

A experiência sem-abrigo - Testemunho

domingo, 22 de abril de 2012


Com este trabalho pretendemos entender a Comunidade Surda bem como a Comunidade Ouvinte através de opiniões de ambas as partes. Para chegar a esta conclusão, o grupo decidiu entrevistar segundo grupos diferentes (sexo, idades e localidade).
Queremos ainda agradecer a todos os entrevistados pela colaboração e, em especial, à nossa colega surda Ana Carina França.
Trabalho realizado pelas alunas Ana Jaleca, Carolina Nunes, Daniela Bleque, Marisa Gomes e Telma Carromeu.

Língua Gestual Portuguesa - uma opção ou um direito


Resumo

“ Gesto e a Palavra I”



Língua Gestual – uma opção ou um direito? 
Texto de Paula Estanqueiro



Este resumo, do texto de Paula Estanqueiro, tem 4 temas,  e que refectem as problemáticas da Educação do Surdo.

O meio menos restritivo na educação de Surdos
Sub-temas:
- A Educação das crianças surdas no ensino escolar;

- A criança surda – quem é?

- A Família e a Educação

 

Numa primeira abordagem, até há pouco tempo os docentes especializados no ensino especial assumiam a oralidade, um fator indispensável para a educação de uma criança portadora de surdez, esta situação do desenvolvimento da oralidade imposta por estes membros sacrificava o desenvolvimento linguístico na tenra idade e a redução de cultura na sua comunidade em que se insere.




Na escola, as crianças surdas eram acompanhadas por terapeutas da fala e por professores especializados na área de ensino especial, no qual, desenvolviam treinos auditivos com o principal objetivo de desenvolver a capacidade da oralidade. No ensino primário, dava-se importância à  leitura de textos orais do que à compreensão do mesmo texto, esta situação leva a que a criança Surda tenha uma boa capacidade de oralidade na pronúncia dos sons, das letras e das palavras, mas em contrapartida desenvolve uma incapacidade ao nível da compreensão e significado dos textos a serem desenvolvidos pelas mesmas crianças. Ao longo da leitura, verifica-se que os jovens surdos-parciais apesarem de terem uma boa oralidade que lhes permite falar, compreender e serem compreendidos pelos ouvintes em diferentes situações, nota-se uma falta de lógica e de coerência de raciocínio ao nível dos textos e da escrita portuguesa, que leva a uma fraca cultura e um baixo nível de escolaridade.
Numa segunda parte do capítulo, este começa por definir: A criança surda- quem é? Pois quando nos debruçamos sobre esta pergunta a maioria das pessoas responde de forma diferentes, tais como: “é uma criança que não ouve”, “uma criança com maior ou menor grau de perda de audição”, “deficiente auditiva”, “que não fala”, entre outras respostas possíveis que mostram uma maior ou menor conhecimento relativamente á questão imposta no momento. Estas respostas são apresentadas de forma negativa, em que comparamo-la com outras crianças ouvintes referindo o que falta á criança que não ouve.
Surge o termo Educar que se trata de ajudar as crianças a desenvolverem o seu potencial ao nível das suas capacidades pedagógicas. A criança surda, mais do que uma criança que não ouve, é uma criança visual. A receção da informação e comunicação faz-se através do campo visual, a utilização das mãos, os braços e a expressão facial e corporal, a criança surda adquirir a sua língua materna sem esforço e de forma espontânea e natural. Esta aquisição lhe permitirá estruturar o pensamento e desenvolver a sua identidade em contato com crianças ou adultos surdos que falam a sua língua, possibilitando a uma imagem positiva enquanto pessoa surda, ajudando-a no seu papel futuro dentro da nossa sociedade.
Por último, faz-se uma abordagem ao tema “ A família e a educação”, que no geral fala do papel crucial na educação da criança surda e no desenvolvimento da sua identidade e autoestima. Na continuidade da leitura sobre este tema, também é abordado que os pais devem estar eventualmente preparados no futuro para receber os seus filhos, mesmo que estes nasçam com problemas auditivos e aceita-los como eles são. Pois estes não aceitam que o seu filho seja surdo ou tenha problemas auditivos o que leva a recorrerem a tratamentos médicos para a resolução dos seus problemas.
Normalmente estas situações são mais verificadas em pais ouvintes que tem filhos surdos. Porém, o acesso á língua gestual não existe para estes pais, por falta de tempo ou questões económicas para fazerem um curso intensivo de aprendizagem desta língua ou pela falta de preocupação e desinteresse na aceitação que o seu filho tenha problemas auditivos graves e ignorando como seu filho dentro do seio familiar. Por outro lado, os pais surdos, aceitam com naturalidade um filho seja ele surdo ou ouvinte, acabando por adquirirem duas línguas (bilinguismo) se um dos progenitores for ouvinte, se ambos os progenitores forem surdos só tem uma língua em comum (LGP), tendo uma infância e uma educação feliz no seio familiar tornando-se mais tarde um ser humano igual a um ouvinte dentro da sociedade.   

A Escola - uma mudança de pespectiva

Relativamente ao artigo 74, refere que “proteger e valorizar a Língua Gestual Portuguesa, enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e igualdade de opurtunidade”. Este reconhecimento valorizou a importância da LGP na educação dos Surdos.
A nível  internacional, em congressos e temáticas, já não se põem em causa a importância da língua gestual na Educação. Os alunos Surdos que frequentaram o pré-escolar numa perspectiva binlingue obtiveram resultados positivos. No estrangeiro, o bilinguismo já  se afirma há longos anos, aqui em Portugal ainda se está no inicio. Tenta-se incentivar e sensibilizar  professores sobre a importância da LGP na educação dos Surdos e de como a Língua Gestual deve ser adquirida desde muito cedo. A língua Gestual, não é uma opção e não é um recurso como um auxilio para a criança, é , acima de tudo, um direito. A criança surda tem o direito de aprender a LGP, tanto a criança ouvinte tem direito a aprender a língua portuguesa.
É igualmente importante, que a criança Surda comece a aprender a segunda língua. Quanto maior é o domínio da primeira língua, mais facilidade terá  em aprender a segunda língua. Dominar a estrutura e o léxico da LGP, dá uma vantagem na aprendizagem segunda língua.
O meio menos restritivo

À priori todas as pessoas deviam estar incluidas na sociedade, mas não depende só de nós, depende também dessa sociedade e do modo como responde às necessidades e às difeferenças de cada um. Por exemplo, a existência da legendagem e/ou intérpretes de Língua Gestual Portuguesa; do deficiente motor ou do idoso; uma politica de igualdade.
A escola tem o dever de educar cada criança respondendo às suas caracteristicas, estilos de aprendizagem,  capacidades, com o objectivo que a criança desenvolva todo o seu potencial e se torne um cidadão participativo na sociedade.
Até 1998, existiam os NACDAs (Núcleos de Apoio à Criança Deficiente Auditiva). Possuíam salas de atendimento para apoiar escolas que tinham um ou dois meninos surdos integrados em salas de ouvintes. Cada professor especializado ia dar o respectivo apoio. Muitas vezes os alunos recebiam apoio duas ou três vezes por semana, e isso não era suficiente.
A criança  era a única surda , não tinha grande acesso ao que se passava na aula. Todos os debates e conversas passavam ao lado. A criança quando mais velha, copiava do quadro ou do cadernos dos colegas, matéria que não percebia. Só com a ajuda do professor na sala NACDA, é que compreendia a matéria. As crianças iam passando de ano, com notas que não correspondiam à sua realidade.  Os alunos ficavam expectantes quando ao seu futuro. Os mais optimistas diziam “não é preciso estudar, porque os surdos passam sempre”.
Estes alunos, cujo percurso escolar foi feito no sistema de integração, atingiam o fim da escolaridade muita vezes sem a primeira língua assegurada. E também com poucos conhecimentos da língua Portuguesa. Estes alunos seguiam cursos profissionais. Numa falsa integração, está a limitar o acesso à informação e também a impedir o desenvolvimento cognitivo da criança surda.
O trabalho do intérprete faz mais sentido em níveis mais elevados do que no ensino primário, uma vez que os alunos não ouvem o português, de na serve a tradução. Nos níveis mais avançados os alunos já dominam a língua gestual.
No ensino pré-escolar até ao 9º ano, é mais adequado haver um formador de LGP , como modelo do uso correcto da língua. O formador desenvolve a primeira língua das crianças, colabora com os professores usando expressões e estruturas frásicas linguisticamente apropriadas à idade das crianças.
Umas das justificações relativamente na integração é a socialização. As crianças Surdas devem socializar com as crianças ouvintes, para aprenderem a viver em sociedade. Ao aceitar isso, está-se afirmar que a sua maneira de ser, estar, os seus valores,a  história e cultura surda, não são válidos. Então os valores válidos é o da comunidade ouvinte, maioritariamente.
A sociedade não é homogénea. É composta tanto por pessoas ouvintes como por pessoas surdas, e suas respectivas culturas. É esse conjunto que enriquece a sociedade.
As crianças e jovem surdos, como não sabem falar bem, recorrem a expressões faciais e corporais. Enquanto, que os jovens ouvintes relacionam-se naturalmente. Logo, as crianças surdas ficam excluídas, pelas dificuldades em perceberem as conversas. As crianças surdas começam a sentir-se inferiorizados. Nas aulas os ouvintes têm boas notas e respondem às perguntas, então acham que para ser bom aluno é preciso ser ouvinte. Este tipo de pensamento contribui para uma baixa-estima . Ao estarem integradas, estamos a dar a imagem de que as crianças surdas precisarão sempre de ajuda, que escrevem mal, que não fala, e quando crescerem e tiverem filhos, certamente vão-se assustar, pois vão pensar que eles terão o mesmo percurso que os pais.
As escolas e turmas de crianças Surdas e em que todos sabem a língua Gestual  é que oferecem a melhor oportunidade para crescerem cognitiva e socioemocionalmente.
Depois do reconhecimento da Língua Gestual Portugal na constituição, surge o Depacho nº7520/98, que cria as Unidades de Apoio à Educação de Alunos Surdos, preconizando a educação bilingue. Pretende-se toda a educação, não superior, aos alunos Surdos. Começa no pré-escolar, e depois segue para as escolas de referência, nos 1º, 2º e 3º Ciclos e ensino secundário. Nos primeiros anos há só uma escola, em que os alunos se agrupam em turmas. No ensino secundário, por vezes a Unidade tem várias escolas secundárias, para que os alunos possam escolher vários cursos.
Mas era mais útil se a educação dos Surdos  abrangesse tanto as escolas especiais, como o ensino público destes alunos.
As unidades de Alunos Surdos, deviam ser menos, abrangendo as várias regiões, com o objectivo de haver uma optimização dos recursos humanos e materiais. São necessários formadores surdos de LGP, intérpretes, professores Surdos e ouvintes qualificados, com domínio adequado de LGP. A unidade deve integrar o jardim-de-infância e prever transportes para as crianças.
LGP, literacia e acesso ao currículo

A Língua Gestual  é usada para a comunicação, para a estruturação do pensamento. A língua Portuguesa é usada com métodos, focando-se no domínio da leitura e da escrita. A criança Surda deve terminar a escolaridade competente nas duas línguas. Através da LGP  e da LP, juntamente com educadores e professores competentes no ensino das duas línguas, será possível para a criança ter acesso à cultura.
É importante ter acesso aos histórias desde a infância. Os pais, os educadores e os professores devem possibilitar livros de ficção, informativos ou de outro tipo. O processo de leitura para a criança Surda é mais lento, pois a língua portuguesa é a sua segunda língua. O que é fundamental  é dar boa literatura e deve ser feita em todo percurso escolar.
É necessário que a criança já tenha um domínio da LGP que lhe permita compreender e participar nos debates na sala de aula. Alguns conceitos como o “narrador”, “personagem”, “localização temporal e especial”, entre outras, são capacidades que devem ser desenvolvidas na sua primeira língua, através de análises em língua Gestual. Assim será mais fácil a análise de texto na segunda língua.
Têm de haver uma trabalho constante, estruturado progressivamente, que permita à criança Surda aprender o Português como segunda língua. É fundamental que a criança se aperceba que está perante duas línguas, com diferentes formas de exprimir o mesmo conteúdo e com estruturas gramaticais diferentes. Usar o Português Gestual, a criança não vai compreender. Para cada um desses sentidos, há muitas vezes um Gesto diferente. Quando a criança desconhece a palavra  usa a dactilologia. Ou quando pergunta em LGP, pedindo às vezes um resumo Gestual do texto, percebe-se quais as suas dificuldades.
Se a criança progredir na Língua Portuguesa, esta deverá ser gradualmente mais usada no ensino e na avaliação de conteúdos curriculares. Mas, se a criança não dominar a sua primeira língua, os seus conhecimentos nas outras disciplinas deverão ser avaliados em LGP.
O aluno Surdo deve ser responsabilizado na sua aprendizagem, com métodos activos: debates nas aulas, fazendo-se pesquisa de informação e apresentação à turma, elaboração de projectos a turmas de Surdos e de ouvintes.
É exigido aos professores um bom domínio da LGP. Deve-se considerar o papel importante dos educadores e professores Surdos qualificados podem ter junto dos alunos Surdos, apostar na sua formação e colocá-los nas escolas e Unidades de Alunos Surdos.
É imprescindivel um investimento forte na criação de materiais didácticos em LGP de apoio à educação, na formação de professores e na criação de espaços onde os profissionais Surdos e Ouvintes, famílias possam trocar ideias e experiências, para que a Criança tenha uma igualdade de oportunidades.

 

Este resumo foi elaborado por Inês Cavaco e Vânia Marcelino do Curso LGPN, da unidade curricular Aprendizagem e Desenvolvimento.







quinta-feira, 19 de abril de 2012

A aventura de um pai

Partilhamos com este video  uma história construida a partir da leitura de um capítulo" Aventura de um pai" do livro  O Gesto e  a Palavra.A partir da personagem veridica do pintor Fausto Sampaio  construimos uma história,  mas querendo ser nós as protagonistas somos nós que representamos os filhos assim como os quadros e as pinturas não são os originais. O nosso objectivo  principal é sensabilizar para a problemática da  surdez e divulgar  a figura deste pintor.
Trabalho realizado por: Helena Cascais; Maria Înês Duarte e Nélia Godinho.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A criança em desenvolvimento


A Criança em Desenvolvimento
(9ª Edição)



Edição/reimpressão: 2003
Páginas: 612
Editor: Artmed
ISBN: 9788573078848
Idioma: Português do Brasil

Preço 64,66 euros





Sinopse: Helen Bee vai continuar a cativar os estudantes com a nona edição de A Criança em Desenvolvimento, que mantém o seu estilo característico de redacção: informal, pessoal e narrativo. Este texto de fácil leitura, apresentando um equilíbrio entre teoria, pesquisa e aplicação prática, permite que os alunos compreendam como a teoria e a prática estão ligadas e como se aplicam à vida quotidiana. O texto não se limita apenas a estudos clássicos, pois Bee reúne o pensamento e a pesquisa actuais para apresentar aos alunos as tendências e os tópicos mais recentes no desenvolvimento da criança.

Recomendo este livro como importante para a compreensão do desenvolvimento da criança.