segunda-feira, 23 de abril de 2012

trabalho


 


Gesto e a Palavra I
“Os Utilizadores de Língua Gestual e a Comunidade Surda” (Pág.83 a 108)
Markku Jokien


Docente: Luísa Carvalho
Discentes: Colleen Freitas, Joana Rodrigues e Sofia Ferreira



23 De Abril de 2012




Introdução

Nos últimos anos foram debatidos os conceitos de Falantes Nativos de Língua Gestual e utilizadores de Língua Gestual nas comunidades Surdas dos países nórdicos e EU.
Antes deste trabalho sobre os conceitos referidos anteriormente, foi dado a conhecer às autoridades a importância das Línguas Gestuais e de como são importantes para a comunicação dos surdos e dos seus direitos humanos, tendo o Parlamento Europeu solicitado os Estados Membros para que reconhecessem as Línguas Gestuais como oficiais nos seus países. Até hoje só a Finlândia e Portugal tem reconhecidas as línguas gestuais nas suas constituições.
Ao longo deste capítulo serão abordadas algumas questões importantes como, comunidade surda, falantes nativos de língua gestual, utilizadores da língua gestual, diferentes perspetivas sobre a utilização da língua gestual, identidades do falante de língua gestual, surdez e utilização da língua gestual.
É através da língua que se adquire toda uma cultura e o ser humano estrutura e interpreta o mundo e a sua relação com o lugar que ocupa.
Ir-se-á verificar que os falantes nativos de língua gestual, constituem um grupo muito heterogéneo, com muitos subgrupos, podendo serem encontrados a nível local e internacional. As suas identificações são fortalecidas através do desenvolvimento da tecnologia e da informação.
 A identificação da pessoa surda também é considerada como uma identificação social e pessoal. A comunidade surda é representada por organizações oficiais e não oficiais. O direito humano da comunidade surda ganha força a cada dia que passa, através da sua língua.
Um estudo psicossocial a um grupo de surdos Finlandeses, concluiu que este grupo tem utilizado a língua para se caracterizar e melhorar o seu estatuto. Para além da língua, utilizam definições, termos e expressões para manifestar as suas necessidades, bem como a vontade de se tornarem um grupo idêntico a outros.

“A comunidade surda “

Na Finlândia durante uma parte do séc. XX, a comunidade surda era encarada como não tendo cultura, em substituição a este termo, entre eles, usavam a expressão Surdo-Próprio-Mundo ou Mundo-Surdo-Próprio, que traduzida significa mundo dos surdos, (na ASL – American Sign Language, têm um conceito semelhante, Mundo-Surdo). O sentido destes termos usados pelos surdos deste país, trata um todo/uma entidade, não só constituída pela língua mas também por tudo que envolve esta comunidade, organizações, tradições próprias, etc. O facto de usarem a expressão acima mencionada deve-se a este povo querer se distinguir de um outro mundo, o dos ouvintes; também usavam outro termo em complemento ao acima mencionado, Próprio Modo HYY, (movimento da boca), significando “característico para nós” ou “tal como nós”, o uso destes termos entre eles era para mostrarem que têm hábitos e costumes, deles mesmos, do grupo.
Durante todo este período, esta comunidade quis mostrar de como a identidade deles era forte e determinada. Surge então no séc. XIX, vários clubes criados por estes, em 1946 a primeira escola de surdos, desde logo diziam “ O clube de surdos é como uma segunda casa”, era aqui que eles se sentiam únicos e próprios, podendo usar livremente a sua língua, a Língua Gestual Finlandesa; pois nas escolas a língua gestual era proibida, assim como os surdos foram proibidos de casar entre si, (1900-1970).
Uma outra expressão usada pelos surdos era a que designava os ouvintes, Ouvinte-Próprio-Mundo, pois estes tinham igualmente as seus costumes e que também formavam uma comunidade, forte e unificada. Pouco tempo depois alguns surdos e investigadores estudaram o conceito de Cultura, aplicando-o ao termo Mundo Surdo, assim gerou-se o interesse de estudar esta comunidade, criando-se assim, organizações sociais para servir esta comunidade e serviços de interpretação para a comunicação com o outro mundo, nesta época quando usavam a expressão Mundo Surdo referiam-se à Comunidade Surda, mas ainda não usada por toda esta comunidade de surdos finlandeses. Durante a década de 80 do séc. XX, este termo chegou ao nosso país através de uma formação chamada de Consciência Surda.
Nos EUA, segundo Baker and Cokely 1980: “ (…) a Comunidade Surda é constituída por membros surdos e com dificuldades auditivas que possuem uma língua, experiências e valores comuns e uma forma de interagirem entre si e com as pessoas ouvintes”.
De início sé se considerava os surdos profundos e parciais pertencentes à comunidade surda, pois trocavam experiências idênticas e usavam a língua gestual, uns anos mais tarde, também consideraram que pessoas que estivessem ligadas a esta comunidade activamente e partilhassem os mesmos pontos de vista também fariam parte dela.
Então, segundo o esquema apresentado (pág. 89, fig.1), sendo o maior grupo, 90% a 95% os surdos profundos e parciais que utilizam a língua gestual e têm pais ouvintes, que a língua gestual é a sua segunda língua ou que não a utilizam; o grupo minoritário, 5% a 10% é aquele em que há surdos filhos de pais surdos, sendo considerados o núcleo da comunidade surda em termos linguísticos, culturais e sociais, sendo os restantes elementos da comunidade as pessoas que trabalham com estes nativos de língua gestual, os pais ouvintes que têm filhos surdos, ou aqueles que têm interesse na língua e na comunidade em causa.
Os clubes existentes na Finlândia fazem parte das associações que trabalham a nível nacional.
Este estudo feito na Finlândia também faz referência à Espanha, pois aqui há três níveis: existem os clubes locais, as associações regionais e uma federação nacional para 1milhão de surdos, fazendo parte da União Europeia dos Surdos desde 1995, e também são uma das 123 associações filiadas na Federação Mundial de Surdos, estas situações são desconhecidas na comunidade ouvintes, também a nível desportivo fazem parte de algumas organizações mundiais, fazendo com que a língua gestual internacional não ponha barreiras entre os vários surdos de diferentes países e troquem as várias experiencias.
Existem cerca de 70milhoes de Surdos no Mundo, comunidade internacional maior que a população de muitos países. Este facto da troca de vivências entre os surdos de todos os países, faz com que se tornem mais fortes e mostrem os seus objetivos ao Mundo, que lutem para uma vida melhor e conquistem as suas metas, reforçando a identidade de cada surdo no mundo.
É preciso que haja respeito pela escolha de pertença a um determinado grupo, havendo ouvintes que dominam tão bem a língua gestual quanto um surdo, havendo por vezes dificuldades em saber se é ouvinte ou surdo, pois a atividade politica na comunidade surda não implica que sejam só surdos, se estes forem politicamente ativos são aceites, mesmo não sabendo a língua gestual.


“Diferentes perspetivas sobre a utilização da língua gestual”

Ao falarmos acerca das designações ligadas a um certo grupo, temos de ter em conta o ponto de vista ético, temos de ter atenção às opiniões dos membros do grupo, respeitando as designações que utilizam entre si, grupos, aquilo que estimam e valorizam.
No entanto, a maioria das pessoas não tem isto em conta, insistindo no termo ”surdo-mudo”, desconhecendo mesmo o termo falantes nativos da língua gestual. Grande parte das pessoas acha que surdo-mudo não é um termo insultuoso ou negativo, porém este, é antiquado e insultuoso, do ponto de vista dos falantes nativos da língua gestual, outro termo que acham adequado é “pessoa com deficiência auditiva”, equiparando, por vezes, ao termo surdo.
Contudo, “o termo surdo é considerado como mais adequado, mais próximo e afetuoso visto referir-se à comunidade surda e à sua cultura, do ponto de vista dos falantes nativos da língua gestual”.
Do ponto de vista legal a Língua Gestual Finlandesa tem estatuto condicional, garantindo-se desde 1995 os direitos dos falantes nativos da língua gestual, existindo em Portugal, África do Sul e Uganda um estatuto semelhante e de acordo com a nossa constituição, trata-se da Língua Gestual e não da Língua dos Surdos. Assim sendo, toda a discussão em volta do termo Utilizador da Língua Gestual e Falantes Nativo da Língua Gestual surgiu do estatuto constitucional e do significado da expressão. A utilização do termo falante nativo da língua gestual tem-se intensificado e tem sido utilizado pelas pessoas em diferentes contextos.
Quanto ao ponto de vista sociocultural é importante referir que a língua gestual não é apenas a língua mãe das crianças surdas, mas também de crianças ouvintes, pois a aquisição, domínio e a identidade desta língua não dependem do nível de audição e capacidade auditiva, mas sim do grau de língua gestual em que a criança está rodeada. A cultura surda Finlandesa, é uma longa tradição inseparável da língua gestual Finlandesa, através desta temos a grande oportunidade de obter e aprender o saber acumulado que foi transmitido ao longo de muitas gerações, realizando a pessoa surda, com a língua gestual temos acesso à história sobre o modo como viviam os surdos no século XX, vivenciaram as guerras e falavam com os ouvintes, o modo como inventaram ”campainhas de porta” e despertadores visuais; como frequentam escolas distantes das suas casas e viviam longos períodos em colégios internos; como viviam com a sociedade, opressão e vergonha da sua língua; a forma como a Língua Gestual Finlandesa se libertou e rivalizou; a força com que lutam pela sua língua. É através destas histórias que constroem a identidade enquanto falantes nativos da língua gestual.
Na Finlândia, para além de surdos, são muitas as pessoas que utilizam a Língua Gestual Finlandesa, averiguou-se cerca de 14 000 utilizadores de língua gestual, na prática os falantes nativos da língua gestual também são bilingues. Atualmente, na educação das crianças finlandesas, o multiculturalismo e o multilinguismo tornaram-se competências essenciais devido à rápida transformação do mundo.
No ponto de vista linguístico, todas as línguas gestuais são naturais a par das outras línguas, porém as línguas gestuais continuam a ser esquecidas no inventário das línguas. Esta língua é o “cimento” que alicerça os falantes nativos desta língua na comunidade, sendo que também desempenham um papel importante no crescimento e desenvolvimento individual, na construção de uma equilibrada personalidade.
A língua suporta em si a cultura, revelando-se através do conteúdo linguístico, enriquecida de símbolos culturais, as suas raízes apoiam-se na cultura que a alimenta. Os componentes da identidade social são a língua e a cultura. O individuo absorve em si a língua e esta passa a ser a sua pele, através da qual respira. Ao destruirmos a língua, destruímos a estrutura cultural e com ela a do individuo que nela se sustenta.
Concluindo, as provas e factos acerca da língua gestual, enquanto língua natural, por si só, não é o suficiente, pois as línguas gestuais continuam a sofrer de opressão no mundo inteiro. Os falantes nativos da língua gestual presenciam quotidianamente ao genocídio linguístico. Apenas uma pequena percentagem destes, em todo o mundo, recebe a sua educação em língua gestual.


 “Identidades do falante de língua gestual”

A língua desempenha um papel muito importante na definição da identidade cultural de cada pessoa, representa também a sua identidade social. Surdo e falante nativo da língua gestual são designações que incluem a língua gestual e a sua utilização como modo integrante do modo de vida do individuo. Segundo a comunidade surda Surdo é a pessoa com quem eles se identificam e vice-versa. Os sinais de identidade consistem na utilização da língua gestual, no conhecimento da comunidade surda e na utilização do espaço visuo-motor como meio de processamento de informação e interação entre as pessoas. O termo mais recente, falante nativo da língua gestual, coloca a tónica na língua e na sua utilização. Esta expressão remete-nos com maior definição para a identidade linguística.
O desenvolvimento/exercício da língua contribui para a caracterização do individuo: “língua gestual-surdo profundo, língua falada-surdo parcial”. Porém, sempre houve a existência de surdos profundos que não utilizavam a língua gestual e surdos parciais que o faziam.
O falantes nativos da língua gestual vivem sempre entre duas culturas, quanto mais profunda for a aquisição de ambas as línguas e culturas, mais preparadas estão a adaptar-se a elas permitindo-lhes utilizar eficientemente diversos tipos de ferramentas, códigos de conduta, símbolos culturais e seus significados. O falante nativo da língua gestual tem o mesmo tipo de experiências que os membros de outras minorias linguísticas e culturais. Muitos destes falantes “continuam a lutar contra todo o tipo de injustiças e a favor dos direitos humanos, assumindo-se como “combatentes pela liberdade””.

Ponto de vista étnico
A endogamia é muito comum entre os surdos. A surdez em si pode ser considerada como uma marca biológica (como a cor da pele nos negros), mas a utilização e a identificação com a língua gestual pode ser mais forte que a própria surdez. Na Finlândia o reconhecimento da língua gestual ajudou a comunidade surda a interagir com os ouvintes.
Os pais, bem como as pessoas mais chegadas das crianças, desempenham um papel fundamental no desenvolvimento da identidade individual e na criação da mesma para estas (crianças), sendo também importante o contacto com outras pessoas.
É através de conceitos e critérios que se reconhecem e distinguem grupos étnicos, o contributo destes grupos é decisivo, dando-lhes acesso a mecanismos que visam a proteção dos seus próprios direitos.


“Identificação com a deficiência?”

Tem-se verificado uma grande cooperação entre as pessoas com deficiência e pessoas surdas, pois estas ao longo da sua vida têm-se deparado com algumas dificuldades e entraves. Algumas destas dificuldades prendem-se como por exemplo o acesso à informação e à comunicação.
Existe algo que é bem latente na comunidade surda: os surdos não se sentem deficientes, pois enquanto possuírem uma língua rica, cultura e os meios de resolver outros problemas (exemplo sistema para falar ao telefone), sentir-se-ão realizados e completos enquanto cidadãos com os seus direitos plenos, no entanto, se a sociedade não respeitar e aceitar a sua cultura, a sua língua, a sua forma de estar, ser pressionado para reabilitação contínua (desde que nasce até morrer), então, sentir-se-ão como deficientes. 

A surdez e a utilização da língua gestual”

Existem estudos que comprovam que a utilização da língua gestual aumenta as competências espaço-visuais das pessoas ouvintes, comparativamente com as pessoas ouvintes que não utilizam a língua gestual.
De acordo com a afirmação anterior, pode-se verificar que a utilização da língua gestual é uma cultura visual, e não uma cultura de pessoas deficientes assente na perda de audição. Será importante relembrar que na fase inicial do desenvolvimento da criança, esta utiliza quase exclusivamente a visual-gestual e depois continua a apoiar-se neste tipo de comunicação após a transição para o canal oral-auditivo.
As crianças surdas não se sentem tristes pelo fato de o serem, são crianças felizes e satisfeitas consigo próprias, a menos que a sociedade envolvente as faça sentirem-se tristes e as façam sentir-se como diferentes. Note-se que a surdez apenas é uma das inúmeras caraterísticas humanas que podem transportar um conteúdo cultural, tendo por base uma língua.

Língua gestual como primeira língua da humanidade (William Stokoe)

A primeira língua humana foi uma língua falada. O português, o espanhol, o francês, o italiano e o romeno derivam todos eles do latim das legiões romanas. As línguas célticas, isto é, o bretão, o galês e o gaélico irlandês e escocês são diferentes das línguas românicas, mas têm em comum com o latim e o grego a mesma língua antepassada.
Do mesmo modo, o inglês, o neerlandês e o alemão descendem do antigo germânico ocidental, enquanto as línguas escandinavas tiveram como antepassado o germânico setentrional. Todas as línguas acima mencionadas, descendem com muitos acidentes de percurso, de raízes indo-europeias, constituindo reconstruções feitas pelos académicos de palavras supostamente utilizadas há milhares de anos.
Contudo, se a primeira língua tiver sido um língua gestual, podemos certamente ter algumas ideias sobre como seria. Uma língua gestual não tem que ser universal, não há possibilidade de toda a gente em toda a parte perceber perfeitamente cada gesto.  Algumas ações parecem estar enraizadas na fisiologia humana, e os gestos pertencem a essa categoria de ações.
Podemos facilmente imaginar quantas espécies de gestos se desenvolveram a partir de gestos naturais, mas não há forma de se explicar onde terão determinados sons ido buscar o seu significado. Há quem diga que os bebes aprendem a língua apontando para um objeto e ouvindo um adulto pronunciar a palavra que domina esse objeto.
Suponhamos então que a primeira língua humana foi efetivamente  uma língua gestual. Por algumas razões, o objeto atraiu a atenção e interesse do bebe e que há um adulto que tem muita experiencia com esse objeto. È uma ferramenta de pedra cuidadosamente modelada e polida, o tipo de ferramenta que os paleontologistas denominam machado de mão.
A pessoa que cuida da criança utiliza diariamente uma ferramenta desse tipo , portanto ao olhar para a pedra e para o bebe, faz um movimento de cortar, com uma das mãos posicionada como se estivesse a empunhar o machado de mão. Mais tarde a criança, vai percebendo ao poucos, que aquele objeto se com o movimento que vê o adulto fazer e aprenderá também os seu nome.
As crianças de hoje, são ativas e decerto que o eram tanto ou mais quando a raça humana era jovem e tentava vingar, sobreviver num mundo hostil. Assim, centenas ou milhares de interações semelhantes devem ter ocorrido ao longo do crescimento de cada criança.
A língua representa o pensamento de forma a que os sentidos dos outros o percebam. A língua, no geral, implica muito mais do que um conjunto de palavras ou designações, implica a representação da cultura. Para a Língua Gestual é através da ação e visão. A língua começa através dos movimentos representativos que transmitem a informação. O autor dá como um exemplo, a "verticalidade humana". O Homem tinha como noção que "para cima" era positivo e "para baixo" era negativo. Independemente dos sons vocais que representavam estes gestos sabemos o que eles significam.

 Mais tarde, depois de compreendida a relação entre o gesto e a sua representação, os primeiros humanos tornam os gestos como metáforas do tempo. " Agora e antes", "Agora e mais cedo" e "Agora e mais tarde" eram noções compreendidas através dos gestos . Não se sabe quando durou os gestos para a língua oral. A língua, no geral, têm que ter uma sequência gramatical, segundo a Gramática Universal, o que sabemos que existe nas línguas gestuais usadas pelos surdos que utilizam  sequencias de símbolos. Assim, houve uma evolução desde a língua "gestual" usada pelos primeiros homens até a atualidade.

O autor diz que mesmo antes dos primeiros humanos, os chimpanzés  já faziam gestos que significavam " Dá-me um pouco dessa comida" e  "Coça-me aqui". Mas, mesmo antes dos chimpanzés , os animais mostravam o que sentiam através da expressão corporal.

Este caminho deve ser uma das fontes da língua, que evoluiu da exibição automáticas dos sentimentos para a troca intencional dos mesmos através do reino visual. As línguas gestuais verdadeiras utilizam os gestos manuais e também a expressão facial e corporal.

Os movimentos das mãos e dos braços representam e demostram que o pensamento é um sistema que funciona em conjunto com os mesmos. Nas línguas gestuais, o que é dito e a forma como algo é dito funciona também muito ligado á visão.

Existem tribos nos EUA e na Austrália que possuem Línguas Gestuais, que funcionam como alternativa á fala. Exemplos disso são os falantes de Nakota, que utilizam por exemplo o mesmo gesto e a mesmo palavra oralizada para simbolizar as palavras boa mente e bom coração. Colocando este gesto/palavra em verbo, significa pensar claramente e atuar com compaixão.

É feita a pergunta “Poderia a primeira língua gestual ter tido uma verdadeira gramatica, com sequências e símbolos visíveis?” a resposta é que sim, contendo essa uma designação sintática.

São explicados ainda os olhos e a visão humana para captar movimentos e gestos. Estes contêm cones e bastonetes que servem para detetar o movimento que é analisado quando são feitas ligações ao cérebro, e a visão fóvea ou imagem focada nos cones mostra-nos exatamente o aspeto que tem uma cara numa determinada configuração de uma mão ou braço em movimento.

Segundo o autor, a língua nasceu de forma natural. Da conjugação da visão e movimentos humanos adicionados pelo movimento cerebral. Resumidamente a comunicação por gestos deu origem a uma língua.



Trabalho realizado por:
 Ana França,
Mariana Lopes e
 Sílvia Pinheiro (Curso: LGPN)

Perspetiva teóricas na aquisição da Linguagem em Crianças Surdas


Perspetiva teóricas na aquisição da Linguagem em Crianças Surdas

A criança surda, no que respeita ao desenvolvimento cognitivo e à linguagem, não se pode efectivar senão graças a um conhecimento profundo dos mecanismos que a criança ouvinte utiliza para atingir essas capacidades, também é uma realidade que as crianças surdas constituem um grupo especialmente importante para o estudo dos processos cognitivos assim como da relação entre o pensamento e a linguagem.

Ø  Relativamente aos estudos jeitos por Vygotsky, Piaget e Chomosky podemos realçar os seguintes aspectos:



·         Quando os surdos não têm acesso à linguagem o seu desenvolvimento cognitivo apresenta-se a um nível que não ultrapassa o das operações mentais mais elementares;

·         Quando os surdos têm acesso à “ linguagem dos gestos “ os resultados obtidos são superiores às expectativas muitas vezes tidas em relação a estas crianças;

·         Embora pensamento e linguagem possam ser entidades distintas, é certo que se influenciam mutuamente em questões de desenvolvimento cognitivo;

·         É da maior relevância o papel que o meio ambiente desempenha na estimulação para a aquisição de competências.

Desta forma estamos perante permissas muito importantes vindas de autores cujo estudo não foi dirigido à problemática dos surdos, mas este grupo foi muito útil para a elaboração de experiências e reflexões ligados às dificuldades da Linguagem e atrasos do desenvolvimento cognitivo.

Raízes biológicas do conhecimento


A linguagem humana não está limitada ao som e ao ouvido uma vez que existem outros sistemas de comunicação simbólica, passados de geração para geração, que se tornaram em línguas autónomas e independentes na sua formação da língua oral.

O facto de as línguas gestuais usarem as mãos, a face e o corpo como processos articulatórios em vez do tracto oral pôde levar a supor que se apresentavam completamente diferentes das línguas orais e porventura lhes faltariam propriedades que são utilizadas nas línguas orais.

Segundo Poizner, Kilma e Bellugi:



·      A característica mais acentuada da linguagem é o apoio nos mecanismos espaciais para processar a sua estrutura sintáctica;

·      Devido à sua especialização para a linguagem o hemisfério esquerdo encontra-se melhor adaptado do que o direito para o processamento sequencial da língua oral;

·      Existirá alguma possibilidade de a língua gestual se encontrar representada nos dois hemisférios? Existindo, como se torna possível o seu processamento?

·      Poderá encarar-se a hipótese de que a base de especialização do hemisfério esquerdo para a linguagem se encontra mais ligada à função do que à forma?

Estas foram as questões essenciais levantadas por os autores anteriormente referidos.

Posteriormente realizaram estudos e os resultados das sessões efectuadas foram recolhidos em vídeo para posterior análise em equipa.

Os pacientes seleccionados foram seis dos quais três apresentavam apenas uma lesão cerebral no hemisfério esquerdo e os outros três apresentavam, cada um, apenas uma lesão cerebral no hemisfério direito.

Todos possuíam as seguintes características comuns:

Ø  Eram destros antes da lesão cerebral;

Ø  Receberam a sua educação em escolas residenciais para surdos;

Ø  Viviam com parceiros portadores de surdez média ou profunda;

Ø  Usavam a ASL como língua de comunicação;

Ø  Eram membros da comunidade surda.



Isto significa que a pesquisa tendo como base a língua dos surdos representam um avanço importante no que respeita às teorias modelares do cérebro, porém, somos do parecer que ainda com a base na língua gestual, se poderão obter informações da maior relevância sobre a forma como o organismo recebe e organiza os estímulos que lhe são fornecidos pelo meio circundante, demonstrando a sua plasticidade e consequente capacidade de adaptação.


Desenvolvimento Cognitivo



Pintner (1941) afirma que os surdos são intelectualmente inferiores aos ouvintes em várias áreas da cognição: inteligência, memória e pensamento abstracto, refere ainda as suas dificuldades na compreensão, na comunicação e inter-relação social.



Myklebust (1964) os surdos apresentam um pensamento de natureza mais concreta do que os ouvintes, as suas estratégicas de memorização apresentam-se inferiores às dos ouvintes, possuem uma personalidade pouco flexível e ainda uma fraca maturidade social.



Ø  De uma geral todas pesquisas desta época se pautam pelas diferenças do tipo quantitativo e qualitativo entre surdos e ouvintes.



Ø  Comparando o percurso das crianças surdas com o das ouvintes os aspectos inatos encontram-se em igualdade de circunstância, porém o que falta à grande maioria das crianças surdas foi a envolvência com o meio que duplamente as marcou, o que impediu a aquisição da linguagem e provocou um corte irremediável no seu desenvolvimento linguístico, cognitivo e social.



Linguagem / Pensamento        


Stokoe despertou o interesse de linguísticas e psicolinguísticas americanas para a ASL. O primeiro período é principalmente marcado pelo desenvolvimento de estudos sobre a ASL em que, além de Stokoe, Bellugi, Klima e Poizner representam o paradigma de investigação ainda hoje seguido por muitos investigadores.

Ø  Emerge a certeza de que a ASL é uma língua com todas as características de uma língua natural;

Ø  Surge um grande interesse pela comunidade surda e pela sua cultura;

Ø  Existe finalmente, uma nova consciência sobre as capacidades das pessoas surdas.



·         Parece, então, existir um certo consenso de que factores de natureza fisiológica, psicológica, social e cultural se conjugam para proporcionar num determinado período de vida de um individuo, uma situação ideal para a aquisição da língua materna, por outro lado, se a aquisição da primeira língua se processar fora desse período é de esperar a ocorrência de perturbações no processo normal de aquisição e desenvolvimento dessa língua.

É obvio que no decurso do estudo sobre a aquisição da linguagem nos surdos não podem também deixar de ser reflectida e devidamente enquadrada uma questão que vem emergindo nestes últimos anos, e que se liga à importância da interacção e das estratégicas de comunicação com a criança surda.

Trata-se de uma área cuja investigação temos em curso e da qual, uma vez concluída, tenciona-se divulgar os seus resultados.



Trabalho realizado por: Sofia Carvalho
                                                  Carlos Gonçalves
                                                  Leonor Marques

A experiência sem-abrigo - Testemunho

domingo, 22 de abril de 2012


Com este trabalho pretendemos entender a Comunidade Surda bem como a Comunidade Ouvinte através de opiniões de ambas as partes. Para chegar a esta conclusão, o grupo decidiu entrevistar segundo grupos diferentes (sexo, idades e localidade).
Queremos ainda agradecer a todos os entrevistados pela colaboração e, em especial, à nossa colega surda Ana Carina França.
Trabalho realizado pelas alunas Ana Jaleca, Carolina Nunes, Daniela Bleque, Marisa Gomes e Telma Carromeu.

Língua Gestual Portuguesa - uma opção ou um direito


Resumo

“ Gesto e a Palavra I”



Língua Gestual – uma opção ou um direito? 
Texto de Paula Estanqueiro



Este resumo, do texto de Paula Estanqueiro, tem 4 temas,  e que refectem as problemáticas da Educação do Surdo.

O meio menos restritivo na educação de Surdos
Sub-temas:
- A Educação das crianças surdas no ensino escolar;

- A criança surda – quem é?

- A Família e a Educação

 

Numa primeira abordagem, até há pouco tempo os docentes especializados no ensino especial assumiam a oralidade, um fator indispensável para a educação de uma criança portadora de surdez, esta situação do desenvolvimento da oralidade imposta por estes membros sacrificava o desenvolvimento linguístico na tenra idade e a redução de cultura na sua comunidade em que se insere.




Na escola, as crianças surdas eram acompanhadas por terapeutas da fala e por professores especializados na área de ensino especial, no qual, desenvolviam treinos auditivos com o principal objetivo de desenvolver a capacidade da oralidade. No ensino primário, dava-se importância à  leitura de textos orais do que à compreensão do mesmo texto, esta situação leva a que a criança Surda tenha uma boa capacidade de oralidade na pronúncia dos sons, das letras e das palavras, mas em contrapartida desenvolve uma incapacidade ao nível da compreensão e significado dos textos a serem desenvolvidos pelas mesmas crianças. Ao longo da leitura, verifica-se que os jovens surdos-parciais apesarem de terem uma boa oralidade que lhes permite falar, compreender e serem compreendidos pelos ouvintes em diferentes situações, nota-se uma falta de lógica e de coerência de raciocínio ao nível dos textos e da escrita portuguesa, que leva a uma fraca cultura e um baixo nível de escolaridade.
Numa segunda parte do capítulo, este começa por definir: A criança surda- quem é? Pois quando nos debruçamos sobre esta pergunta a maioria das pessoas responde de forma diferentes, tais como: “é uma criança que não ouve”, “uma criança com maior ou menor grau de perda de audição”, “deficiente auditiva”, “que não fala”, entre outras respostas possíveis que mostram uma maior ou menor conhecimento relativamente á questão imposta no momento. Estas respostas são apresentadas de forma negativa, em que comparamo-la com outras crianças ouvintes referindo o que falta á criança que não ouve.
Surge o termo Educar que se trata de ajudar as crianças a desenvolverem o seu potencial ao nível das suas capacidades pedagógicas. A criança surda, mais do que uma criança que não ouve, é uma criança visual. A receção da informação e comunicação faz-se através do campo visual, a utilização das mãos, os braços e a expressão facial e corporal, a criança surda adquirir a sua língua materna sem esforço e de forma espontânea e natural. Esta aquisição lhe permitirá estruturar o pensamento e desenvolver a sua identidade em contato com crianças ou adultos surdos que falam a sua língua, possibilitando a uma imagem positiva enquanto pessoa surda, ajudando-a no seu papel futuro dentro da nossa sociedade.
Por último, faz-se uma abordagem ao tema “ A família e a educação”, que no geral fala do papel crucial na educação da criança surda e no desenvolvimento da sua identidade e autoestima. Na continuidade da leitura sobre este tema, também é abordado que os pais devem estar eventualmente preparados no futuro para receber os seus filhos, mesmo que estes nasçam com problemas auditivos e aceita-los como eles são. Pois estes não aceitam que o seu filho seja surdo ou tenha problemas auditivos o que leva a recorrerem a tratamentos médicos para a resolução dos seus problemas.
Normalmente estas situações são mais verificadas em pais ouvintes que tem filhos surdos. Porém, o acesso á língua gestual não existe para estes pais, por falta de tempo ou questões económicas para fazerem um curso intensivo de aprendizagem desta língua ou pela falta de preocupação e desinteresse na aceitação que o seu filho tenha problemas auditivos graves e ignorando como seu filho dentro do seio familiar. Por outro lado, os pais surdos, aceitam com naturalidade um filho seja ele surdo ou ouvinte, acabando por adquirirem duas línguas (bilinguismo) se um dos progenitores for ouvinte, se ambos os progenitores forem surdos só tem uma língua em comum (LGP), tendo uma infância e uma educação feliz no seio familiar tornando-se mais tarde um ser humano igual a um ouvinte dentro da sociedade.   

A Escola - uma mudança de pespectiva

Relativamente ao artigo 74, refere que “proteger e valorizar a Língua Gestual Portuguesa, enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e igualdade de opurtunidade”. Este reconhecimento valorizou a importância da LGP na educação dos Surdos.
A nível  internacional, em congressos e temáticas, já não se põem em causa a importância da língua gestual na Educação. Os alunos Surdos que frequentaram o pré-escolar numa perspectiva binlingue obtiveram resultados positivos. No estrangeiro, o bilinguismo já  se afirma há longos anos, aqui em Portugal ainda se está no inicio. Tenta-se incentivar e sensibilizar  professores sobre a importância da LGP na educação dos Surdos e de como a Língua Gestual deve ser adquirida desde muito cedo. A língua Gestual, não é uma opção e não é um recurso como um auxilio para a criança, é , acima de tudo, um direito. A criança surda tem o direito de aprender a LGP, tanto a criança ouvinte tem direito a aprender a língua portuguesa.
É igualmente importante, que a criança Surda comece a aprender a segunda língua. Quanto maior é o domínio da primeira língua, mais facilidade terá  em aprender a segunda língua. Dominar a estrutura e o léxico da LGP, dá uma vantagem na aprendizagem segunda língua.
O meio menos restritivo

À priori todas as pessoas deviam estar incluidas na sociedade, mas não depende só de nós, depende também dessa sociedade e do modo como responde às necessidades e às difeferenças de cada um. Por exemplo, a existência da legendagem e/ou intérpretes de Língua Gestual Portuguesa; do deficiente motor ou do idoso; uma politica de igualdade.
A escola tem o dever de educar cada criança respondendo às suas caracteristicas, estilos de aprendizagem,  capacidades, com o objectivo que a criança desenvolva todo o seu potencial e se torne um cidadão participativo na sociedade.
Até 1998, existiam os NACDAs (Núcleos de Apoio à Criança Deficiente Auditiva). Possuíam salas de atendimento para apoiar escolas que tinham um ou dois meninos surdos integrados em salas de ouvintes. Cada professor especializado ia dar o respectivo apoio. Muitas vezes os alunos recebiam apoio duas ou três vezes por semana, e isso não era suficiente.
A criança  era a única surda , não tinha grande acesso ao que se passava na aula. Todos os debates e conversas passavam ao lado. A criança quando mais velha, copiava do quadro ou do cadernos dos colegas, matéria que não percebia. Só com a ajuda do professor na sala NACDA, é que compreendia a matéria. As crianças iam passando de ano, com notas que não correspondiam à sua realidade.  Os alunos ficavam expectantes quando ao seu futuro. Os mais optimistas diziam “não é preciso estudar, porque os surdos passam sempre”.
Estes alunos, cujo percurso escolar foi feito no sistema de integração, atingiam o fim da escolaridade muita vezes sem a primeira língua assegurada. E também com poucos conhecimentos da língua Portuguesa. Estes alunos seguiam cursos profissionais. Numa falsa integração, está a limitar o acesso à informação e também a impedir o desenvolvimento cognitivo da criança surda.
O trabalho do intérprete faz mais sentido em níveis mais elevados do que no ensino primário, uma vez que os alunos não ouvem o português, de na serve a tradução. Nos níveis mais avançados os alunos já dominam a língua gestual.
No ensino pré-escolar até ao 9º ano, é mais adequado haver um formador de LGP , como modelo do uso correcto da língua. O formador desenvolve a primeira língua das crianças, colabora com os professores usando expressões e estruturas frásicas linguisticamente apropriadas à idade das crianças.
Umas das justificações relativamente na integração é a socialização. As crianças Surdas devem socializar com as crianças ouvintes, para aprenderem a viver em sociedade. Ao aceitar isso, está-se afirmar que a sua maneira de ser, estar, os seus valores,a  história e cultura surda, não são válidos. Então os valores válidos é o da comunidade ouvinte, maioritariamente.
A sociedade não é homogénea. É composta tanto por pessoas ouvintes como por pessoas surdas, e suas respectivas culturas. É esse conjunto que enriquece a sociedade.
As crianças e jovem surdos, como não sabem falar bem, recorrem a expressões faciais e corporais. Enquanto, que os jovens ouvintes relacionam-se naturalmente. Logo, as crianças surdas ficam excluídas, pelas dificuldades em perceberem as conversas. As crianças surdas começam a sentir-se inferiorizados. Nas aulas os ouvintes têm boas notas e respondem às perguntas, então acham que para ser bom aluno é preciso ser ouvinte. Este tipo de pensamento contribui para uma baixa-estima . Ao estarem integradas, estamos a dar a imagem de que as crianças surdas precisarão sempre de ajuda, que escrevem mal, que não fala, e quando crescerem e tiverem filhos, certamente vão-se assustar, pois vão pensar que eles terão o mesmo percurso que os pais.
As escolas e turmas de crianças Surdas e em que todos sabem a língua Gestual  é que oferecem a melhor oportunidade para crescerem cognitiva e socioemocionalmente.
Depois do reconhecimento da Língua Gestual Portugal na constituição, surge o Depacho nº7520/98, que cria as Unidades de Apoio à Educação de Alunos Surdos, preconizando a educação bilingue. Pretende-se toda a educação, não superior, aos alunos Surdos. Começa no pré-escolar, e depois segue para as escolas de referência, nos 1º, 2º e 3º Ciclos e ensino secundário. Nos primeiros anos há só uma escola, em que os alunos se agrupam em turmas. No ensino secundário, por vezes a Unidade tem várias escolas secundárias, para que os alunos possam escolher vários cursos.
Mas era mais útil se a educação dos Surdos  abrangesse tanto as escolas especiais, como o ensino público destes alunos.
As unidades de Alunos Surdos, deviam ser menos, abrangendo as várias regiões, com o objectivo de haver uma optimização dos recursos humanos e materiais. São necessários formadores surdos de LGP, intérpretes, professores Surdos e ouvintes qualificados, com domínio adequado de LGP. A unidade deve integrar o jardim-de-infância e prever transportes para as crianças.
LGP, literacia e acesso ao currículo

A Língua Gestual  é usada para a comunicação, para a estruturação do pensamento. A língua Portuguesa é usada com métodos, focando-se no domínio da leitura e da escrita. A criança Surda deve terminar a escolaridade competente nas duas línguas. Através da LGP  e da LP, juntamente com educadores e professores competentes no ensino das duas línguas, será possível para a criança ter acesso à cultura.
É importante ter acesso aos histórias desde a infância. Os pais, os educadores e os professores devem possibilitar livros de ficção, informativos ou de outro tipo. O processo de leitura para a criança Surda é mais lento, pois a língua portuguesa é a sua segunda língua. O que é fundamental  é dar boa literatura e deve ser feita em todo percurso escolar.
É necessário que a criança já tenha um domínio da LGP que lhe permita compreender e participar nos debates na sala de aula. Alguns conceitos como o “narrador”, “personagem”, “localização temporal e especial”, entre outras, são capacidades que devem ser desenvolvidas na sua primeira língua, através de análises em língua Gestual. Assim será mais fácil a análise de texto na segunda língua.
Têm de haver uma trabalho constante, estruturado progressivamente, que permita à criança Surda aprender o Português como segunda língua. É fundamental que a criança se aperceba que está perante duas línguas, com diferentes formas de exprimir o mesmo conteúdo e com estruturas gramaticais diferentes. Usar o Português Gestual, a criança não vai compreender. Para cada um desses sentidos, há muitas vezes um Gesto diferente. Quando a criança desconhece a palavra  usa a dactilologia. Ou quando pergunta em LGP, pedindo às vezes um resumo Gestual do texto, percebe-se quais as suas dificuldades.
Se a criança progredir na Língua Portuguesa, esta deverá ser gradualmente mais usada no ensino e na avaliação de conteúdos curriculares. Mas, se a criança não dominar a sua primeira língua, os seus conhecimentos nas outras disciplinas deverão ser avaliados em LGP.
O aluno Surdo deve ser responsabilizado na sua aprendizagem, com métodos activos: debates nas aulas, fazendo-se pesquisa de informação e apresentação à turma, elaboração de projectos a turmas de Surdos e de ouvintes.
É exigido aos professores um bom domínio da LGP. Deve-se considerar o papel importante dos educadores e professores Surdos qualificados podem ter junto dos alunos Surdos, apostar na sua formação e colocá-los nas escolas e Unidades de Alunos Surdos.
É imprescindivel um investimento forte na criação de materiais didácticos em LGP de apoio à educação, na formação de professores e na criação de espaços onde os profissionais Surdos e Ouvintes, famílias possam trocar ideias e experiências, para que a Criança tenha uma igualdade de oportunidades.

 

Este resumo foi elaborado por Inês Cavaco e Vânia Marcelino do Curso LGPN, da unidade curricular Aprendizagem e Desenvolvimento.







quinta-feira, 19 de abril de 2012

A aventura de um pai

Partilhamos com este video  uma história construida a partir da leitura de um capítulo" Aventura de um pai" do livro  O Gesto e  a Palavra.A partir da personagem veridica do pintor Fausto Sampaio  construimos uma história,  mas querendo ser nós as protagonistas somos nós que representamos os filhos assim como os quadros e as pinturas não são os originais. O nosso objectivo  principal é sensabilizar para a problemática da  surdez e divulgar  a figura deste pintor.
Trabalho realizado por: Helena Cascais; Maria Înês Duarte e Nélia Godinho.